Arquitectura de Autor é a principal ideia que nos passam durante os anos de formação académica da profissão. O modo de pensar e trabalhar é conduzido e moldado no sentido de uma individualização de pensamento e trabalho que quando confrontado com a realidade dura da profissão se mostra pouco eficaz. É contra esta rotina de isolamento criativo que encontramos os EMBAIXADA, atelier composto por sete arquitectos -Albuquerque Goinhas, Augusto Marcelino, Cristina Mendonça, Luís Baptista, Nuno Griff, Pedro Patrício e Sofia Antunes- e cujo "trabalho é sempre desenvolvido como um protótipo, atendendo às condições programáticas de cada projecto e à identidade de cada cliente", tornando-se numa "expressão física de um colectivo de pessoas e de ideias na procura da excelência". www.embaixada.net

Incubadora de Empresas MADAN PARQUE, Concurso
Porquê EMBAIXADA?
Por duas razões, uma de ordem prática outra simbólica. Por sermos uma equipa constituída por 7 elementos com ideias e pensamentos distintos mas objectivos comuns, procurámos um nome abstracto que nos representasse enquanto colectivo. A segunda razão está relacionada com o momento preciso em que estabelecemos atelier, após a conclusão da licenciatura. Não nos sentindo representados, procurámos criar um espaço de imunidade e auto representação. EMBAIXADA enquanto expressão simbólica de uma entidade representativa de um colectivo de pessoas e de ideias na procura da excelência.
Vocês são 7 sócios. Como conseguem gerir a criatividade e responsabilidade de projecto?
É princípio fundador da EMBAIXADA o assumir do risco e desafio inerentes ao facto de sermos vários e ao factor de instabilidade/equilíbrio que a discussão de ideias gera, mas é precisamente na confrontação e debate permanente que reside o nosso principal motor. Enquanto atelier que recusa qualquer tipo de especialização, assentamos os nossos princípios numa estrutura colectiva de hierarquia dinâmica em regime de co-autoria/responsabilidade que alia a liberdade individual a uma continuada reflexão e discussão crítica, originando um forte potencial criativo e uma ampla capacidade de resposta e adaptação às múltiplas questões do âmbito de actuação da arquitectura. Ultimamente temos sido muitas vezes questionados sobre este tema, suscitando grande interesse a forma de gestão de uma equipa extensa e variada como a nossa… Procuramos promover a individualidade e capacidade próprias de cada um dos elementos da equipa, desencadeando abordagens e pontos de vista distintos que tentamos trazer à discussão no atelier de forma a alcançar os melhores resultados. Com o acumular de tempo e experiência acabámos por desenvolver uma natural capacidade para trabalhar em equipa, parecendo-nos ser uma eficaz opção de sobrevivência no contexto actual.
Ou a confrontação de ideias faz parte do processo de trabalho?
Absolutamente. Só assim faria sentido e é precisamente aí que se centra a nossa procura diária. Dessa forma tentamos levar e testar ao limite o desenvolvimento de um projecto. Todo o trabalho resulta desse confronto, da discussão entre os elementos da equipa. Trabalhamos juntos como uma equipa, e o produto final chama-se EMBAIXADA.
Qual o método ideal para conjugar tantos pontos de vista distintos?
Na realidade não existe uma regra ou fórmula ideal. Parte-se para um novo projecto com a experiência acumulada e com a certeza de que se aprende sempre alguma coisa. Na discussão de um trabalho surgem pontos de vista e abordagens distintas, que muitas vezes se complementam, outras vezes persegue-se uma ideia que prevalece como sendo a com maior potencial de ser desenvolvida. Trabalha-se a partir daí, focados na concretização de um objectivo comum.
publicado às 15.39 em 25.11.2006