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MODOSTUDIO . ROMA
Novas Expressões

Um dos factores mais importantes para a capacidade de resposta e rigor da estrutura organizativa de um estudio é a confiança que temos na própria capacidade de trabalho. Um misto de talento, dedicação e experiência que se vão acumulando ao longo dos anos. Não é de estranhar que a passagem por grandes ateliers -ocupando lugares de decisão e responsabilidade- seja uma das melhores escolas. Foi este o caso dos Italianos Fabio Cibinel, Roberto Laurenti e Giorgio Martocchia que após serem pessoas-chave em ateliers de primeira linha em Itália e Holanda, se lançaram na aventura de ter atelier próprio, mostrando desde já um trabalho criativo e rigoroso. www.modostudio.net

MODOSTUDIO.jpg
KKKT - International port terminal – Klaipeda

Vocês trabalharam vários anos como pessoas-chave nos estudios de Fuksas, Egeraat e Oosterhuis. Que vos levou a sair e fundar o vosso próprio atelier?
Depois de trabalhar tantos anos como responsáveis de projectos de grande escala, era indispensável que nos colocassemos à prova. Queriamos procurar uma realidade profisisonal distinta em comparação com outros jovens estudios italianos: disfrutar da experiência adquirida em grandes projectos, montando uma estrutura ligeira mas capaz de gerir a complexidade do projecto, que hoje em dia exige competências especificas e grande capacidade de sintese e coordenação. A ideia de caminhar por nós próprios e assumir essas responsabilidades directas aparece depois de terminar um periodo de crescimento talvez único sobretudo como arquitectos em projectos como a Nova Feira de Milão ou o Centro de Pesquisa da Ferrari, ou em concursos como o Arquivo Nacional de França, o Centro de Congressos EUR em Roma (com Fuksas) ou o concurso para o Auditório de Helsinquia (com Oosterhius) e também devido à ausência -na maior parte dos estudios italianos- da cultura e a vontade de construir equipe que saiba trabalhar de modo autónomo, de "fazer escola" para transferir competências, alimentar o crescimento, construir uma rede, ao contrário de estudios estrangeiros, onde essas caracteristicas representam uma espécie de valor acrescentado.

Qual foi a melhor lição que aprenderam nestes grandes estudios?
O pragmatismo. Trabalhar ao lado de grandes arquitectos dá-te uma perspectiva de como um projecto que à primeira vista te parece irrealizável se pode tornar realidade devido a uma capacidade de trabalho singular. Todos nós vimos da Faculdade de Arquitectura de Roma onde não era fácil entender a capacidade de realização de um projecto arquitectónico. Foi ao trabalhar para estudios altamente empenhados em construir que nos demos conta de quais são as problemáticas reais do nosso trabalho. Outra das grandes oportunidades é a possibilidade de confrontar com realidades diversas da Italiana. Ao trabalhar em projectos para Alemanha, França, Holanda com uma forte estrutura por trás foi uma experiência formativa que nenhuma escola ou pequena realidade local te podem dar.

Sendo um estudio jovem em Itália, devem lidar com dificuldades constantes para levar as ideias avante. Como lidam com isso?
Itália é uma realidade complicada para os arquitectos. Somos um pais onde se está a considerar jovem arquitecto quem tem até 50 anos que resulta num atraso impressionante e para nós absolutamente injustificado da maturidade profissional. Foram construidas poucas obras de qualidade e os tempos de execução são demasiado lentos, o que leva a uma falta de coragem para investir. Além disso, os concursos dão constantemente a ideia de premiarem outra coisa que não a qualidade da arquitectura. Modostudio existe à menos de um ano, e o entusiasmo e a vontade de fazer são de um estudio jovem, mas simultaneamente, devido à experiência acumulada, sabemos quais são as dificuldades e os erros que não queremos cometer. Temos bastante confiança na nossa capacidade.

Como isso se reflecte no vosso processo de trabalho?
Pensamos que o processo de trabalho não é algo codificável e reproduizivel em todos os casos, nem existe um processo a seguir que resulte em resultados seguros. Acreditamos que é possivel conseguir arquitectura de qualidade em quaisquer circunstâncias. Não é necessário projectar um grande museu ou uma obra extremamente cara para conseguir arquitectura de qualidade, nem achamos que o destino dos jovens grupos italianos seja apenas de idealizarem instalações urbanas efémeras.

Como olham a nova geração italiana, que está a começar a ultrapassar uma abordagem "clássica" e a propor uma arquitectura nova e fresca?
Uma grande quantidade de propostas é feita actualmente em Itália, e a qualidade geral parece estar a crescer. Faz falta uma Escola, pois a Universidade não é mais o ponto de referência para os jovens arquitectos e por isso toda a investigação é feita no exteiror, acumulando experiência em estudios internacionais. Para nós o verdadeiro problema não é apenas ter uma linguagem arquitectónica fresca, mas sim traduzir essa energia em realizações concretas. Esta geração têm mostrado que é capaz de se expressar com bastante força e de se impor mediaticamente. É agora o momento de demonstrarem a sua capacidade própria na realização dos projectos.


publicado às 11.56 em 21.09.2007

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