Com a entrada de novos paises na União Europeia e a consequente ampliação das fronteiras para leste, Austria viu-se literalmente mergulhada no centro da nova Europa Comunitária, numa privilegiada posição de mediadora entre distintas realidades e necessidades. Confrontados com esta dicotomia, o estudio composto por Silvia Forlati, Hannes Bürger e Thomas Lettner -SHARE architects- resume nos seus projectos esta postura de visão, partilha de ideias e processos de trabalho, sintetizando uma atitude positiva da nova geração de arquitectos austriacos que a colocou na vanguarda europeia.
www.share-arch.com

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Quem são os SHARE architects?
SHARE architects é um estudio operativo fundado em Vienna em 2003. Procuramos um foco de partilha de conhecimento, investigação e visão em contextos urbanos. "A realidade pode ser a referência, mas a visão é a chave". Nexte momento partilhamos o trabalho com 5 co-designers desenvolvendo projectos em habitação, propostas urbanas, projectos de investigação de iniciativa própria, interiores corporativos com prototipagem, etc. Somos frequentemente questionados sobre o significado do estudio e que tipo de trabalho fazemos. não queremos ser categorizados como especialistas em edificios públicos ou soluções infra-estruturais. Estamos intrigados pela ideia de ser universalistas, pensadores livres e acreditamos poder contribuir construtivamente e positivamente para cada tópico. Pensamos em conceitos, somos criadores de espaços e provedores de soluções - talvez até sejamos isso tudo. Cirurgiões do construido e do não construido.
Austria está actualmente no meio de uma revolução arquitectónica. Vários estudios estão a produzir trabalho contemporâneo e extremamente interessante, sendo exemplo em toda a Europa. como vêem isto a partir de dentro?
Existe actualemente um momentum criativo bastante grande. Uma série de estudios jovens conseguiram criar uma vibração positiva para a austria. Utilizamos este momentum e iniciamos com outras dez equipes austriacas a exposição itinerante Wonderland: uma exposição de 3 anos através da europa que incluiu 99 estudios de 9 paises diferentes. A nossa start up há três anos atrás e as outras start ups nos levaram a pensar sobre os processos de produção e execução nos ateliers actuais. Iniciamos uma investigação sobre os tópicos que somos confrontados nos primeiros anos, criando uma espécie de inquérito que publicamos regularmente na Wonderland Magazine. Uma revista para arquitectos sem imagens - apenas factos, dados, opiniões e experiências.
Tradição ainda está bastante presente na Austria. Como lidam com isso? É uma presença positiva ou negativa?
Sem dúvida positiva - adoramos trabalhar em contextos diferenciados. O nosso background é Internacional pois nos sentimos Europeus. No estudio trabalhamos num sistema base em Inglês e desenvolvemos projectos com co-designers de outros paises - Espanha, Dinamarca, Reino Unido, Alemanha… neste momento temos algo em construção em Veneza, onde também existe um grande peso da tradição, mas já nos habituamos a misturar e apreciar as diferenças mesmo com os inevitáveis desentendimentos. A tradição molda os lugares, as pessoas, criando a tão necessária identidade.
O vosso trabalho é simultaneamente pragmático e inovador. Pensam que estes dois conceitos definem o vosso modo de pensar e desenhar?
Pensar no projecto é pensar em vida. O modo como trabalhamos e vivemos cria o nosso próprio campo de actividades. O espaço de trabalho, a casa onde vivemos e até as pessoas com quem desenvolvemos os projectos fazem parte deste pequeno universo. Existe uma pequena diferença entre laboral e pós-laboral. Pensamos em design como um estilo de vida, mas não num sentido wallpaper, mais como entendimento de uma organização material e virtual…parece meio estranho, não?
O conceito SHARE é comum ao modo de trabalhar de vários arquitectos jovens. Pensam que é o melhor modo de chegar a qualquer lado? De ser ouvido?
SHARE é um programa, um processo. E isso foi mais uma razão para dar este nome ao nosso estudio. E sim, sem dúvida que estamos a conseguir ir a qualquer lado. não há um único projecto que não tenha sido feito com base em cooperação, parceria, consultadoria. Gostamos de trabalhar tanto com artistas como com orçamentistas, para enumerar todos o leque. Queremos trabalhar não com a rede, mas dentro da rede, num constante dar e receber a todos os níveis. Tudo isto se reflecte em toda a produção do atelier se situar num nivel de qualidade cada vez mais alto.
publicado às 11.39 em 21.09.2007